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crônica, Opinião, Política, Sociedade

Triste fim de um país chamado Brasil


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Eu sempre gostei do Brasil. O considerava um amigo. Sempre bonito e alegre.

Mas eu não era cego. Sabia que o Brasil tinha seus problemas, é claro.

E eles não eram poucos…. Ele gastava mais do que recebia, era violento, à ponto de muitos amigos se afastarem…era preconceituoso e machista.

Mas ele tentava melhorar!!! De um modo torpe, é verdade..como as pessoas que fazem promessas no dia primeiro de Janeiro (“vou correr 10km por dia”, “prometo doar mais dinheiro para a caridade” ou “Vou visitar mais meus amigos”) e no dia seguinte, depois da ressaca, nem se lembram do que prometeram…

Mas ele realmente queria avançar. Ser mais justo e inclusivo.

O Brasil sempre tentava mudar de 4 em 4 anos. Lembro bem do seu mantra nestas épocas… Ele dizia “Desta vez vai! Todos vocês vão ver! Serei o Brasil do futuro!!!”.

E assim, os anos passaram nesta toada…O Brasil tentando mudar, mas nunca conseguindo.

Então foi com tristeza, mas não com surpresa, que recebi a notícia do seu falecimento…

“Morreu?” disse eu?

“Sim” foi a resposta fria que ouvi do outro lado da linha.

“Do que?”

“Polarização extrema”

– “Ah…Era esperado, creio…” pensei, resoluto…

Ah, a polarização….Se você não se cuida, ela te mata.

E fazia muito tempo que o velho Brasil mostrava sintomas de polarização aguda…e nunca tomou os devidos cuidados para que ela não se desenvolvesse.

Qualquer país saudável, tende a procurar um equilíbrio da sociedade…Às vezes ele irá pender para o centro-direita, às vezes para o centro-esquerda, mas sempre pelo centro. Isto garante um equilíbrio interessante entre as necessidades da sociedade e do mercado e permite que o estado busque seu tamanho ideal para melhorar a distribuição de renda e focar no que ele realmente deve prover…Educação, Saúde, Segurança, Infra-Estrutura e Desburocratização.

Mas meu amigo Brasil sempre tendeu para os excessos…Quando caia pela via da extrema esquerda, ficava vermelho de raiva e aí era aquele excesso de Estado…E no fim, ele acabava afugentando os amigos que gostavam de inovar, de criar e de investir…E eles iam lá para as bandas da Europa, da Ásia e dos USA…E o pobre Brasil entrava numas de sair gastando a torto e a direito, sem pensar se teria dinheiro para pagar suas contas…

E acabava quebrado, tendo que vender o almoço de hoje para pagar a janta…de ontem…

Quando ia pela via da extrema direita, ele se tornava violento, racista e misógino. Queria decidir o que todos deveriam fazer e como deveriam viver. Não aceitava conselhos e opiniões contrárias a sua visão de mundo. Abandonava as pessoas que precisavam dele. O Brasil, nestes tempos de extrema direita, sempre andava com aquela turma de especuladores abutres. Péssimas influências! As piores.

E para ajudar, ele queria resolver tudo na bala. Um horror!!!

Óbvio ululante que as pessoas acabavam se afastando dele…Buscando amigos melhores, mais inclusivos, e isto, acho eu, só piorava a polarização…Porque quando as idéias boas se vão…O que resta?

Durante o velório, me contaram que já perto do fim, o pobre Brasil alucinava, (provavelmente entupido de Rivotril ou alguma outra droga) e gritava cambaleante pela casa…

“#ELENÃO!!!!”

E depois pegava seu carro e saia pela cidade buzinando e gritando a plenos pulmões

“#ELESIM!!!”

E várias vezes, dormindo, murmurava…“Que voto foi esse?” e outras vezes ele acordava gritando “Acudam! O Ursal vai me pegar!”

Alguns amigos, no desespero, cogitaram fazer uma intervenção, mas outros sabiamente lembraram que parte da responsabilidade pelo atual estado mental do Brasil foi uma “intervenção” que fizeram com ele alguns anos atrás.

O pessoal esquece das coisas facilmente…

Mas, sem nenhum apelo a razão, o que claramente seria a única coisa que poderia trazer o Brasil de volta a sanidade, ele acabou se afundando na polarização, e morreu…junto com os seus sonhos de ser um lugar melhor.

Talvez, se ele tivesse tido um momento de lucidez e gritado “#NENHUMDELES” naqueles fatídicos dias de Outubro de 2018, ele pudesse ter enxergado uma via de centro…algo menos radical e mais saudável…

Mas agora é tarde.

Descanse em paz, Brasil.

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About Alexandre Cezar

A 39 years old Brazilian guy, married and happy. Looking to share ideas, discuss and improve them for who knows make this world a better one.

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