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Opinião, Sociedade

É possível implementar um sistema renda básica universal? Eu creio que sim.


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A Renda Básica Universal (RBU), apesar de controversa, é vista como uma solução potencialmente viável para combater a desigualdade financeira vigente no mundo, pois ela distribui igualmente um valor mínimo (e descente) a todos os indivíduos, independentemente do status social e de emprego.

Grandes apoiadores da iniciativa, incluindo pessoas como Elon Musk e Bill Gates, vêem está iniciativa como uma possível solução para a já tão alardeada  redução de empregos global, que será causada principalmente pelo aumento no uso de tecnologias como automação e inteligência artificial.

Mas o grande problema (e a pergunta definitiva) que precisa ser respondida é:

Em um mundo onde os governos estão cada vez mais atolados em dívidas e o setor privado está passando por grandes transformações, quem vai financiar isto?

Antes de seguir adiante com a minha proposta, devo admitir de antemão que não sou um especialista em Blockchain, mas apenas um entusiasta que está lendo livros e artigos sobre o assunto.
Então, meu conhecimento sobre a tecnologia ainda é razoavelmente limitado.

Peço desculpas, caso o leitor conheça mais do assunto do que eu e veja problemas que eu não esteja enxergando ainda. Se este for o caso, por favor, ficarei feliz em receber feedback e considerações.

Agora, voltando à pergunta… Eu acredito que há uma maneira de implementarmos um sistema básico de renda usando Blockchain financiado por… “Nós mesmos!”

Ok, então somos nós que vamos financiar este sistema…Mas, como assim?

Permita-me apresentar minha utópica visão e desta maneira, espero que a resposta seja fornecida.

 

“Vamos começar, imaginando uma sociedade global onde cada um, desde recém-nascidos a idosos tenha um blockchain, vamos chamá-lo aqui de “Global ID”.

Você, é claro, tem um.

Seu Global ID basicamente é seu repositório de dados oficial.

Ele armazena seus documentos como passaporte, carteira de motorista, certidão de nascimento, estudante, etc.

Também permite que você armazene dados dos seus dispositivos inteligentes (carro, relógio, telefone, tv e por aí vai) e das suas identidades na web (Facebook, Google, Twitter, Uber, Yahoo, Telegram, etc).

Em um dia típico, você acordaria de manhã, ligaria seu celular (é claro, você o desligaria antes de ir para a cama, certo?), leria as notícias no seu aplicativo favorito, responderia alguns e-mails, verificaria as condições do trânsito, faria esportes, passaria no supermercado e depois disso, brincaria com seus filhos, assistiria a alguns programas de TV na Netflix e antes de ir dormir, faria o pedido daquele novo relógio que monitora o seu estado de saúde.

Antes de prosseguirmos, pare e reflita por um momento sobre quantos dados você gerou no pequeno exemplo acima. Preferências pessoais de todos os tipos, opções de tráfego preferidas, métodos de pagamento utilizados, habilidades que você usa, esportes que você pratica, locais que você frequenta, etc…

É muita coisa, certo?

Guarde este pensamento, vamos voltar a ele em breve…

Na manhã seguinte, o serviço de entregas “Entrega Super Rápida feita por drones” entregou seu novo relógio na sacada da sua casa.

Você abre o pacote, coloca o relógio no pulso, instala o aplicativo do relógio em seu telefone, lê atentamente o contrato e concorda em receber 1 dólar por Gigabyte de dados gerados.

Em seguida, você permite que o aplicativo do relógio armazene informações no seu blockchain, usando biometria como forma de autenticar e validar o contrato com a empresa fornecedora do relógio.

Após 30 dias, você recebe seu primeiro pagamento no valor de R$ 150,00, porque claro, você gerou 150Gb de dados para eles no período.
Você sorri, afinal há muitos outros aplicativos trabalhando para você e claro, muitos outros pagamentos a receber!

Agora, vamos fazer uma pausa e pensar sobre o que aconteceu.

Neste mundo utópico, recebemos dinheiro pelos dados que geramos, e isto é bem legal!

Mas no mundo real isto não acontece. E por que?

Porque os dados que geramos já estão nas mãos dos provedores de serviços.

Mas isso tem que mudar se quisermos implementar o RBU e acredito que o Blockchain é o vetor perfeito para a mudança.

Lembre-se do pensamento que te pedi para guardar? Agora é a hora de voltarmos a ele.

Reflita…Nós geramos muitos dados por dia. NOSSOS dados.

Dados que por si só não têm valor nenhum.

Mas os provedores de serviços como o Google ou Facebook ganham dinheiro transformando dados em informações. Eles são experts nisto.

Tenho certeza que você já captou a ideia, mas vamos continuar mais um pouco.

Ao usar o Blockchain como uma ferramenta de armazenamento de dados e identidades, podemos criar uma sociedade em que as pessoas armazenam todos os seus dados em seu Global-ID e então permitem que empresas acessem essas informações de acordo com os contratos firmados entre o indivíduo e a empresa. E a empresa irá pagar uma uma taxa relacionada à quantidade de dados que ela usar.

Este sistema, claro será regulado por “contratos inteligentes”, que são contratos digitais que ditam as regras da parceria entre usuários e empresas.

E por empresas como Google, Amazon, Microsoft ou Facebook se alinhariam em torno disso?

Ora… Isso seria ótimo para eles também!

Nessa sociedade, geraríamos muito mais dados do que fazemos hoje, porque muito mais pessoas se engajariam (a inclusão social também seria maior) e, nesse ambiente, também geramos dados com maior qualidade (menos vídeos de gatos e cachorros, mais dados relativos aos contratos firmados).

Se o negócio deles é transformar dados em informação, eles teriam muito mais dados para trabalhar e isso resultaria em…lucros maiores.

Claro, alguns podem dizer com razão…

E a minha privacidade?

Mas pense um pouco… Hoje, já oferecemos todos esses dados de graça, com pouca ou nenhuma preocupação sobre quem pode lê-los. Com essas mudanças, você ainda teria algum nível de controle sobre quem poderia lê-lo e de que forma este dado será utilizado.

Expanda este conceito para tudo e todos. Precisa dos meus dados? Claro, você pode tê-los! Apenas pague por isso.

Então, o sistema universal de renda básico pode se tornar uma realidade.

E finalmente, aqueles que não gostam da idéia de vender seus dados, poderiam apenas….trabalhar 🙂

Pense nisto.

 

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About Alexandre Cezar

A 39 years old Brazilian guy, married and happy. Looking to share ideas, discuss and improve them for who knows make this world a better one.

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