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Alguns pensamos sobre tolerância


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Eu acredito piamente que só iremos avançar enquanto espécie, quando conseguirmos no mínimo tolerar aquilo que nos é diferente e estranho, e entendermos que devemos tratar o próximo da mesma maneira que gostaríamos de ser tratados.

Mas, este conceito, que parece ser simples e óbvio tem se demonstrado extremante difícil de ser atingido.

E sempre tenho dois pensamentos recorrentes sobre este tema que gostaria de compartilhar…

O primeiro pensamento, é que se o conceito de tolerância é tão óbvio e simples, por que temos esta dificuldade imensa em aceitar as diferenças e sermos, por assim dizer, tolerantes?

A única resposta aceitável que eu encontrei para este problema, está relacionada a pobreza.

Pessoas que vivem em sociedades mais evoluídas possuem uma maior propensão a pensar nos outros e aceitar suas diferenças do que pessoas que vivem em países pobres.

Abraham Maslow (psicólogo americano) diz em sua teoria “Hierarchic of Needs” que problemas sociais, religiosos e basicamente todos relacionados a tolerância são resolvidos quando os indivíduos de uma sociedade tem suas necessidades básicas atendidas.

Se o indivíduo não está em uma batalha pela sobrevivência, ele tende a ser mais respeitoso, afetuoso e atento as necessidades dos outros.

Portanto, ao meu ver, se quisermos resolver o problema da intolerância, temos que resolver o da pobreza primeiro.

Não há outra forma.

 

O segundo pensamento que me incomoda é sobre a extensão da tolerância…

Li um texto de um intelectual defendendo a inclusão dos refugiados nas sociedades européias, e em seu argumento ele diz que precisamos tolerar e aceitar todas as diferenças e atuar de forma a fazer com que estes refugiados sintam que sua cultura e hábitos são respeitados e absorvidos pela nova sociedade. Segundo ele, se não agirmos assim teremos mais e mais casos de refugiados se sentindo isolados e sendo alvos fáceis para o radicalismo.

Eu concordo com os itens “tolerância, aceitação e respeito”, mas tenho dúvidas com relação a “extensão” desta tolerância.

Minha argumentação aqui é simples…

Se uma pessoa tolera tudo, ela está destruindo o próprio conceito da tolerância, pois a ser tolerante, significa que deve haver um limite.

Caso contrário, iremos tolerar inclusive atitudes nocivas e preconceituosas?

Precisamos ter claro, até onde vai a tolerância, além disto, entendo que o que temos é a permissividade e a inação.

Além disso, a tolerância precisa ser uma via de mão dupla. Ela precisa ser posta em prática por este que vos escreve, e por você.

Por todos nós.

 

Se apenas eu sou tolerante, então não temos tolerância, temos desigualdade.

Vale o exemplo.

Temos dois amigos, um deles bebe uma taça de vinho todos os dias durante o almoço e o outro não aceita a presença de bebidas alcólicas em sua presença.

Estes dois amigos então, marcam dois almoços de confraternização, cada almoço acontecendo na casa de um deles.

O primeiro almoço acontece na casa do amigo que sempre toma uma taça de vinho. Em respeito ao seu amigo, ele não toma a taça de vinho naquele almoço, afinal ele sabe que o incomodará.

O segundo almoço acontece na casa do amigo que não toma nenhuma bebida alcoólica. Ele não oferece uma taça de vinho ao seu amigo, afinal, ele não tolera bebidas alcólicas, mesmo com o amigo tendo sido cordial e tolerante no primeiro almoço.

O que temos aqui?

Desigualdade.

 

E o conceito de tolerância precisa também ser construído no conceito de igualdade. Caso contrário, corremos o risco de grupos que defendem pontos radicais saírem vencedores, com seus pontos de vista tornando-se prevalentes, porque eles não toleram e são obstinados.

 

Entendo que a tolerância é chave para nossa evolução, mas para que ela aconteça, precisamos dar as pessoas as condições para que elas possam ser tolerantes, precisamos estabelecer os limites do tolerável e promover o conceito que a prática deve ser feita por todos.

Caso contrário, corremos o risco de termos uma sociedade no futuro tão ou mais desigual que a sociedade atual.

 

Tenha um bom dia.

 

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About Alexandre Cezar

A 39 years old Brazilian guy, married and happy. Looking to share ideas, discuss and improve them for who knows make this world a better one.

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