//
you're reading...
Opinião, Política, Sociedade

Uma questão de semântica


Não sei se todos conhecem um personagem de tira de quadrinhos chamado “Dilbert”.

Dilbert é um engenheiro de software talentoso, nerd e completamento alijado de vida social, que trabalha em uma empresa de software, seu gerente é um burocrata sem visão e seus colegas de trabalho são compostos por um preguiçoso nato, um rapaz inocente e uma engenheira de software nerd “sua adversária”. Dilbert é uma pessoa franca, direta e que acaba por muitas vezes incompreendido.

 

Em uma destas tiras, dois personagens da série são incumbidos de obter um relatório sobre um determinado produto. Um deles afirma que os dados não existem, mas o outro afirma que pode conseguí-los. Depois na tira, é visto que ele simplesmente digita qualquer coisa em uma planilha sob a justificativa de que “qualquer informação de negócios é feita de forma intencionamente errada, e que ele apenas  está levando esta manipulação ao próximo nível”.

 

Esta introdução é só pra exemplificar a estória que vou lhes contar…

 

Como ilustruda na tira de Dilbert, podemos dizer que existe uma maneira universal de contornar problemas.

 

Esta maneira é “corrigir os dados ruins” de forma a ficarem bonitos.

Se uma métrica está ruim, pra que focarmos em corrigir o problema? Exige tempo, vontade e dinheiro. Muito mais simples se mudarmos a métrica!!!!

 

Este é o caso da prefeitura do Rio de Janeiro.

 

Somente este ano, 8.315 pessoas pegaram dengue na cidade com algumas mortes já contabilizadas, inclusive dois bebês…

 

Motivo para preocupação e triteza? Sim!

Situação de epidemia? Claro!

 

É necessário medidas urgentes dos governantes? óbvio!!!

 

E eles tomaram atitudes. De forma genial, a Prefeitura do Rio alterou seus critérios para definir o que é epidemia de dengue e, da noite para o dia, todos os alertas de epidemia deixaram de existir.

 

O critério da Organização Mundial da Saúde, seguido pelo Ministério da Saúde, considera que existe epidemia quando há mais de 300 casos por 100 mil habitantes.

 

A Secretaria Municipal de Saúde do Rio decidiu manter esse limiar, mas somente quando há tendência ininterrupta de alta dos casos nas últimas cinco semanas. Com isso, diz, ‘não está mais configurada nenhuma região na cidade com característica de alerta para surtos da doença’.

 

Resolveu o problema? Não!!!

 

Mas ficou bonito de ver no gráfico.

 

Tem gente morrendo ainda? Tem.

 

Mas até aí, a questão de semântica é muito mais importante do que a resolução de um problema real.

 

Bom dia.

Advertisements

About Alexandre Cezar

A 39 years old Brazilian guy, married and happy. Looking to share ideas, discuss and improve them for who knows make this world a better one.

Discussion

No comments yet.

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

w

Connecting to %s

March 2011
M T W T F S S
« Feb   Apr »
 123456
78910111213
14151617181920
21222324252627
28293031  

Insira seu endereço de email para receber atualizações do Blog automaticamente por email.

Join 93 other followers

Advertisements
%d bloggers like this: